Investidor
tem até amanhã para se inscrever em fundo de ações que terá garantia
do banco oficial contra perdas na bolsa
CLAUDIO
DE SOUZA, Jornal do Brasil, 19/07/2004
Quem quiser aplicar
no novo fundo de investimentos criado pelo Banco Nacional de
Desenvolvimento Econômico e Social tem até amanhã para reservar sua cota
de participação por meio de algum banco ou corretora de valores. Segundo
analistas, a nova aplicação, batizada de Papéis Índice Brasil Bovespa (PIBB),
é uma boa opção para o pequeno investidor que deseja entrar no mercado
de ações.
O investimento mínimo é de R$ 300 e o investidor ainda terá o resgate do total aplicado até o limite de R$ 25 mil garantido pelo BNDES após um ano. O fundo de investimentos será composto por ações do BNDESpar (subsidiária do banco) em 44 empresas negociadas na Bolsa de Valores de São Paulo. O rendimento será atrelado ao IBRX-50, índice que reflete a cotação das 50 ações mais vendidas na Bovespa e valor total dos papéis dessas empresas que estão no mercado.
Ricardo Sirotsky, sócio-diretor
da consultoria Sirotsky e Associados, avalia que o PIBB é uma grande
oportunidade para quem quer entrar na bolsa. O fato de o BNDES garantir a
recompra das cotas até o limite de R$ 25 mil é excelente, segundo ele,
para o pequeno investidor que mantém seu dinheiro em aplicações de renda
fixa, que rendem pouco mais de 10% ao ano. O analista projeta que, se não
houver nenhum grande acontecimento negativo para o mercado, a tendência é
de que o IBRX-50 renda até 40% nos próximos 12 meses.
- Quem tem dinheiro
na poupança e quiser investir no fundo vai arriscar deixar de ganhar 6%
(referência aos juros de 0,5% mensais pagos pela aplicação) para tentar
obter um rendimento de 40%. É um excelente negócio - avalia Sirotsky.
O diretor da Lógica
de Mercado, Avelino Gonçalves, ressalta que o PIBB é uma boa oportunidade
apenas para o pequeno investidor que ainda não está em bolsa, apesar de o
limite máximo de aplicações no fundo ser de R$ 250 mil por CPF. Ele diz
que o fato de rendimento do PIBB ser atrelado ao IBRX-50 não torna o
investimento muito atrativo para o grande investidor, que já está
acostumado com o jogo do mercado.
- Qualquer índice
atrelado aos papéis mais negociados tende a ser muito contaminado pelas ações
que têm fraco desempenho a médio e longo prazos - afirma Gonçalves.
O analista explica
que muitas das ações que acabam tendo grande movimento na bolsa são de
empresas mais instáveis. Como esses papéis sobem e descem muito
bruscamente, têm grande volume de negociação, mas não apresentam bom
desempenho a longo e médio prazos.
Gonçalves, porém,
concorda que o PIBB é uma boa opção de migração para o pequeno
investidor dos fundos de renda fixa, que têm apresentado remunerações
muito baixas. Para os grandes aplicadores, Gonçalves recomenda os fundos
de ações setoriais, como de empresas de siderurgia ou celulose.
O analista Vitor
Dantas, da Planner Corretoras, avalia que o PIBB é uma boa opção de
investimento e frisa a vantagem do IBRX-50 sobre o tradicional Ibovespa, índice
que considera apenas a valorização das ações mais negociadas.
- O IBRX-50 tende a
ter rendimento mais sólido do que o Ibovespa, já que também leva em
consideração o valor patrimonial das empresas e o valor total das ações
em mercado - contabiliza Dantas.
Para participar da
nova aplicação do BNDES, os investidores poderão comprar cotas do PIBB
por meio dos bancos credenciados ou corretoras. Nestes casos, o
investimento mínimo será R$ 1 mil e o resgate garantido pelo banco
estatal continua com o limite de R$ 25 mil.
Outra opção para
o aplicador é ingressar em fundos de investimentos criados pelos bancos
que comprarão as cotas do PIBB. Neste caso, o limite mínimo de
investimento será de R$ 300.
A taxa de
administração do PIBB será de 0,059% ao ano sobre o patrimônio líquido
do fundo, mas os investidores poderão ter de pagar mais alguma taxa às
corretoras ou aos bancos na entrada no fundo. Além disso, quando o
investidor quiser resgatar o dinheiro do PIBB, poderá ter de pagar taxa de
corretagem no ato da venda, que no mercado oscila em torno de 0,5%.
A oferta inicial do
BNDES será de R$ 600 milhões em ações para constituir o PIBB. Se a
procura durante o prazo de reserva das cotas for maior que a oferta
inicial, haverá rateio proporcional entre os investidores. Neste caso, os
aplicadores que reservaram suas cotas terão a diferença devolvida. A
liquidação (venda das cotas) será no dia 26.
Inicialmente, as
cotas serão comercializadas pelos bancos Itaú, Bradesco, Unibanco,
Santander e Banco do Brasil, além de corretoras e distribuidoras de
valores mobiliários. O PIBB foi desenvolvido pelo BNDES em conjunto com o
Itaú, Goldman Sachs, JP Morgan e a Bovespa. O administrador do PIBB será
o banco Itaú.